segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

NÃO! (CONTINUAÇÃO)

("Isto não é uma maçã", diz a frase no quadro de Reneé Magritte)


Dizer não é algo que aprendemos aos poucos. Não adianta tentar dizer não a tudo de uma vez. De vícios só nos libertamos gradativamente. E vícios, nada mais são, que hábitos que atingiram o ponto da patologia.
Hábitos fazem de nós quem somos. Como diria Samuel Becket, “A vida é uma sucessão de hábitos, pois o indivíduo é uma sucessão de sujeitos”. Nos intervalos destes hábitos é que vivemos realmente, quando “o tédio de viver é substituído pelo sofrimento de ser”. Porém, é no hábito que a grande maioria encontra a satisfação.
Concordo com Becket, mas viver não é um sofrimento, mas um risco. Quando dizemos não, corremos o risco perigosíssimo de descobrir que passamos tanto tempo dizerndo sim a algo que não nos traz real vivência, real prazer. Dizer não ao hábito é um passo importante para crescer.
A satisfação da vontade e da necessidade ganhou um aspecto de urgência em nós. Parece que precisamos viver e consumir o que desejamos o mais rápido que pudermos, pois não sabemos o dia de amanhã. Mal sabemos que estamos negligenciando nosso próprio amanhã quando damos este tipo de importância para o hoje.
O dia de hoje é importante para viver, mas a vida tem limites demarcados que estão muito aquém daquilo que o mundo tenta colocar na nossa cabeça. Enquanto as propagandas de bebida mostrarem jovens bonitos em volta de uma mesa, conversando, bebendo, sendo felizes, veremos jovens tristes envolvidos em acidentes de carro, em depressão e entregues ao vício. Tudo por causa da falta de autocontrole.
Este exemplo (não tão exagerado) é apenas um dos exemplos que podemos dar. Poderia falar sobre sexo, sobre cigarro, sobre possessão, sobre busca por poder, trabalho, etc. em todas as áreas nós temos pessoas que são assim: buscam o que querem e não se importam com os outros à sua volta. Este egoísmo e este fascínio pelo possuir geram a destruição destas pessoas. Elas se perdem por que não conseguem se controlar.
Eu só preciso fechar a boca. Substituir pro frutas os doces que tanto consumo. Creio que seja possível. Espero conseguir vencer esta jornada de minha viagem, mas só é possível com força de vontade. Ser viciado não é fácil e, por mais que pareça exagero, já que falo de açúcar e não de uma “droga”, preciso viver um dia de cada vez, sem arroubos, buscando tranquilamente a satisfação que as quantidades moderadas podem me oferecer.
Quanto ao que é ilegal ou imoral, isto eu não concordo em ter nem em quantidades moderadas. A viagem da droga só atrapalha a viagem muito mais alucinante em busca de si mesmo!

Proposta:

Deixe de fazer alguma coisa que você sempre faz.

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